Helena Tannure


Quando eu era criança, em minha casa havia uma pequena goiabeira. Não me lembro de alguém tê-la plantado ali, em um pedacinho de chão agarrada ao muro que separava nosso quintal do quintal do vizinho, mas lá estava ela!

Aguardávamos com grande expectativa o aparecimento dos frutos que, para surpresa de todos, eram extraordinários! Goiabas enormes e extremamente saborosas que saciavam nosso curioso paladar infantil. Apenas uma goiaba era suficiente para deliciar a mim e meus dois irmãos!

Ao longo de toda a estação, tínhamos de três a seis goiabas. Parece que todo o esforço se concentrava nos escassos, porém perfeitos, frutos!

Tenho conhecido muitos ministérios e nessa minha nova jornada ouço muitas coisas, relatos que me encorajam a prosseguir e notícias que jamais desejaria saber.

O fato é que no pomar de Deus existem muitas árvores, uma enorme diversidade de cores, sabores e frutos.

Algumas são árvores imponentes, majestosas, abarrotadas de frutos mas, quando contempladas de perto, revelam muitas pragas e frutos podres. Outras, como a goiabeira da minha infância, pequenas, crescendo junto a muros de religiosidade ou indiferença, mas extraordinárias, produzindo frutos robustos e saudáveis, deliciando e alimentando a quem precisa!

Quanto mais conheço Jesus, sua doçura e simplicidade, mais sinto nojo do desvirtuamento que o evangelho vem sofrendo e de pessoas que usam as boas novas para beneficio próprio e, em nome dos “frutos”, se julgam aprovados pelo Jardineiro.

É tempo de refletirmos sobre os frutos que estamos gerando e nos sujeitarmos às podas necessárias para que geremos mais frutos saudáveis de acordo com a vontade de Deus!

Não me refiro apenas à frutos de salvação e restauração de vidas, mas, principalmente, aos frutos do caráter.

Usura (lucro exacerbado), falcatruas, tráfico de influencia, abuso de autoridade, soberba, falsa modéstia, suborno, bajulação, desvio de dinheiro, hipocrisia… Estas são algumas pragas que têm apodrecido os frutos de frondosas árvores!

É tempo de acordar, Igreja!

Que o Senhor do Pomar tenha a misericórdia de podar e, se for necessário, cortar completamente aqueles que tem se levantado como escândalo.

Mas não se apresse em julgar outras árvores, comece consigo mesmo.

Helena Tannure.

Nesta última semana do ano é comum nos impormos certas reflexões. Tempo de recordar o que se passou, avaliar as decisões e suas consequências e sonhar com o novo!

Acho que a virada do ano tem um efeito psicológico fantástico em todos nós!

No rito da passagem deixamos para trás as dores, decepções e frustrações. Viramos a página na ânsia de ter pela frente novas historias.

Particularmente pra mim, também é tempo de faxina. Arrumar gavetas, reorganizar armários, descartar o que está apenas ocupando lugar sem uso ou utilidade e todas as vezes que estou neste processo, faço uma associação natural com a faxina da alma.

Nas gavetinhas do nosso coração acabamos guardando desânimo, ressentimentos, uma palavra mal dita, rejeições, raiva e, definitivamente, a limpeza precisa ser feita. 

Tais coisas embaraçam o nosso caminho nos impedindo de viver usufruindo a vida abundante que nos foi conquistada na cruz.

Quando escuto as palavras de Jesus: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”, três outras palavras me ocorrem imediatamente: PAZ, ALEGRIA e PROPÓSITO.

Paz e alegria são óbvias, todo ser humano deseja! Mas Jesus veio fazer mais. Ele veio para nos conceder paz e alegria independente das circunstâncias. É para este lugar que o mestre quer nos levar, a liberdade absoluta de pertencer a Ele na certeza de que Ele nos capacita como a única fonte.

E o propósito? Porque nascemos? Para quê existimos?

Quando descobrimos qual a nossa vocação em Deus, nossa jornada se torna livre dos tropeços da competição e do sentimento de inferioridade que aprisiona milhares em nosso século. 

Há um lugar, no centro da vontade de Deus, feito pra você. Peça ao Senhor para te conduzir a este lugar. 

Que o Mestre seja sua única fonte, afinal, Ele mesmo nos prometeu: “Aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.”

Feliz Ano Novo, com paz, alegria e propósito!

Helena Tannure.

             


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